Encontro REIS abordará desafios e alegrias da maternidade para mulheres com deficiência


A atriz e consultora Tábata Contri quando estava grávida de 37 semanas de seu filho.

Por: Raquel Paoliello


No mês de março comemora-se a conquista dos direitos das mulheres. O dia 08 foi escolhido a partir de um evento trágico, onde dezenas de mulheres foram queimadas por lutarem por condições mais dignas de trabalho, há 165 anos, nos Estados Unidos. Mesmo com tantos avanços obtidos de lá para cá, fatos como a desigualdade salarial entre gêneros para mesmas posições e, até mesmo, declarações violentas sobre mulheres, como a do deputado estadual de São Paulo sobre as refugiadas ucranianas, em março de 2022, evidenciam o quanto as ações afirmativas ainda são incipientes para a promoção da equidade e justiça.


A interseccionalidade traz ainda mais desafios para as mulheres. Quando são LGBTQIAP+, negras, com deficiência, refugiadas, indígenas, os desafios são maiores ainda. Nesta reportagem, a jornalista Raquel Paoliello, que também é uma mulher com deficiência, aborda uma questão feminina ainda mais delicada: como garantir uma vida de qualidade para si e para seus filhos, sendo mulher com deficiência.


Ser mulher e possuir deficiência já não é fácil. Ser mãe com deficiência é uma decisão muito corajosa, mas ao mesmo tempo muitas mulheres têm esse sonho da maternidade e, com as mulheres com deficiência, não é diferente. Ser mãe com deficiência pode sim ser algo sonhado e, ao mesmo tempo, um desafio, pois essas mães enfrentam o capacitismo e também, algumas vezes, precisam de apoio para cuidar de si e de suas/seus filhas e filhos.


Para abordar esse assunto, trouxemos a seguir dois exemplos de mulheres ativistas que têm deficiência e que têm filhos. Elas foram entrevistadas exclusivamente para esta reportagem e contam a seguir um pouco da sua experiência.


Sandra Ramalhoso é professora aposentada, teve poliomielite aos 3 meses de vida e usa cadeira de rodas para se locomover. Ela afirma que sempre sonhou em ser mãe, e conseguiu realizar esse sonho no segundo casamento, pois seu primeiro marido não queria. O esposo atual de Sandra possui má formação congênita, o que acarretou preconceito para o casal, pois a pergunta que ouviam com mais frequência na época da gravidez era se os filhos nasceriam com deficiência. Sandra contratou pessoas para ajudar a cuidar dos filhos quando eram pequenos. “Preferi fazer isso do que receber ajuda da família, que tinha má vontade”, explica ela.


A professora Sandra Ramalhoso, que teve poliomielite quando era bebê e usa cadeira de rodas, realizou seu sonho de ser mãe.


Tábata Contri é atriz e consultora de inclusão, cadeirante, mãe e empreendedora. Diz que a maternidade é “deliciosa e desafiadora ao mesmo tempo”.


Tábata tem 41 anos de idade, e ficou paraplégica em 2000, devido a um acidente de carro. Ela foi mãe aos 35 anos e afirma que trabalhou a gestação inteira e parou poucos dias antes de Franscisco nascer. “Tive anestesia geral por causa da placa e parafusos na coluna e da lesão medular a raquidiana (rac) não é indicada, então não o vi na hora do nascimento, mas meu marido filmou tudo pra eu ver depois.“


Segundo Contri, sua gravidez foi tranquila e teve rede de apoio da sogra para auxiliar no banho quando o bebê era recém nascido, e a família sempre a apoiou, com todo amor. Sempre teve a ajuda de seu marido, o músico Márcio Guimarães.


Tábata Contri com seu filho Francisco. “Já ouvi de um taxista que meu marido não deveria ter deixado eu sair de casa neste estado. Fiz ele parar o carro!”

Sobre o preconceito, ela declara que “na sociedade é comum, mas eu não me importo! Já peguei um táxi quando estava grávida de 9 meses e o taxista me falou que “meu marido não deveria ter deixado eu sair de casa nesse estado” achei o comentário sexista, machista e capacitista, fiz ele dar meia volta e parar o carro pra eu descer! Nesta fase eu estava sem paciência. (risos)"


Precisamos colocar mais em pauta esse assunto, pois na elaboração desta reportagem não foi encontrada nenhuma estatística anterior, o que mostra o grande descaso com este assunto. De acordo com uma revisão no censo IBGE, há 8 milhões de mulheres com deficiência, porém dentro dessas estatísticas, não existe nenhum número sobre mães com deficiência.


No dia 25 de março próximo, a Rede Empresarial de Inclusão Social pela empregabilidade das pessoas com deficiência realizará um encontro gratuito para discutir esse tema com mais profundidade.


Faça a sua inscrição e participe: ​​https://www.redeempresarialdeinclusao.com/


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