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A luta da comunidade LGBT+ : principais conquistas e desafios


No dia 17 de maio foi comemorado o Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia. Esta é uma data muito importante, que simboliza a luta dos homossexuais, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros contra o preconceito, a violação de direitos e, especialmente, a violência a qual essa população está sujeita.

A mobilização pelos direitos dos LGBT+ ocorre há, pelo menos, 50 anos, porém, só há pouco mais de 30 anos é que estas pessoas começaram a ser devidamente reconhecidas e incluídas na sociedade.

Ao longo desse tempo, celebramos inúmeras conquistas, porém, as questões relativas ao preconceito de orientação sexual e identidade de gênero estão muito longe de uma solução. Pelo contrário, ao analisar os dados da violência contra LGBTs no Brasil, percebemos que ainda há um longo caminho pela frente. E esse caminho passa pela informação, pela conscientização e pelo respeito.

Datas e fatos que marcaram a trajetória do movimento LGBT no Brasil

Você sabe por que o Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia é comemorado em 17 de maio? Foi nessa data, no ano de 1990, que a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença e o termo “homossexualismo” foi retirado da Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial de Saúde.

Mas essa foi apenas a primeira vitória na guerra contra o preconceito. Ela teve início ainda na década de 1970, quando os grupos de LGBTs começaram a criar a chamada “imprensa alternativa”, com publicações como o Lampião da Esquina, de 1978 e ChanacomChana, idealizado e distribuído em 1981 (ambos em plena ditadura militar). Esta última publicação chegou a ser censurada pelos donos do bar onde era distribuída, em São Paulo.

Em 19 de maio de 1983, militantes de um grupo lésbico realizaram um ato político e conseguiram suspender a proibição. Por conta desse ato, a data de 19 de agosto foi reconhecida pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo como Dia do Orgulho Lésbico.

Outro fato relevante que deu maior visibilidade à causa LGBT foi a descoberta da AIDS, para a qual os homossexuais foram classificados como um “grupo de risco”. Para combater a nova doença e a nova carga de preconceito que ela trazia, vários ativistas se uniram, criando associações de combate à AIDS, como o Grupo Gay da Bahia (GGB), em 1980 e o Triângulo Rosa, do Rio de Janeiro, também do mesmo ano.

Hoje consolidado um dos principais grupos em defesa das minorias sexuais, o GGB foi o principal responsável pela campanha para que a homossexualidade deixasse de ser considerada um transtorno pelo Conselho Federal de Medicina, o que ocorreu em 1985 — cinco anos antes da declaração oficial pela OMS.

Esse movimento também deu origem à primeira associação de travestis do país, conhecida como Associação de Travestis e Liberados (ASTRAL), em 1992.

Mas, talvez, o evento mais importante dessa história seja a criação da Parada do Orgulho Gay. Sua primeira edição aconteceu em 1997, influenciada pela 17 ª Conferência da Associação Internacional LGBT, no Rio de Janeiro, em 1995.

A iniciativa teria inspirado uma passeata na Praça Roosevelt em 1996 e, a partir daí, foi organizada a primeira Parada do Orgulho Gay, em São Paulo, que hoje é o maior evento destinado ao público LGBT do mundo.

Reconhecimento dos direitos civis

Apesar da intensa trajetória de movimentos e reivindicações entre os anos 70 e 90, houve poucos avanços concretos para garantir os direitos essenciais dos LGBTs nesse período.

As primeiras conquistas só vieram a partir dos anos 2000, com a autorização do procedimento de mudança de sexo — masculino para feminino — em 2002. E, somente em 2010, passou a valer também para mulheres que queriam tornar-se homens, podendo ser realizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde).