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Dia da Visibilidade Bissexual: precisamos falar sobre a Bissexualidade!


Descrição da imagem: Ilustração com fundo azul e rosa. Uma pessoa segura uma bandeira com o símbolo do orgulho bissexual. 23 de setembro Dia da Visibilidade Bissexual. No canto inferior direito está o logo do Instituto Modo Parités.


Por Yara Moraes


Celebrado em 23 de setembro, o Dia da Visibilidade Bissexual foi comemorado pela primeira vez nos EUA em 1999. A data tem como propósito dar a conhecer e celebrar a diversidade bisexual, além de combater todas as formas de bifobia que existem na sociedade e na própria comunidade LGBTQIAP+.


Ainda não há um consenso sobre o conceito de bissexualidade, o que gera confusão e contribui para a discriminação. Alguns entendem por bissexualidade pessoas que se relacionam com pessoas dos gêneros feminino e masculino. Outras, entendem que para se identificar com bissexual basta sentir atração por outro gênero diferente do seu. Ainda existem os diferentes tipos de atração, podendo ser afetivo e sexual.


Erroneamente, algumas pessoas pensam que bissexuais são pessoas indecisas, ou que estão passando por uma fase de transição para outra sexualidade, ou até mesmo que são pessoas promíscuas.


Contudo, bissexualidade é um termo que abrange todas as nomenclaturas para pessoas não monossexuais.


A seguir, Thayna Novais conta sua experiência como uma mulher bissexual:


“A heteronormatividade compulsória reforçou que o sonho das mulheres deveria ser de se casarem com um homem, ter um homem para te proteger, ter filhos, ter a família que a mãe sempre desejou para sua filha e dar netos. Eu fui casada com um homem, sonhava em ter filhos. Já tinha beijado outras meninas, porém nunca tinha sentido atração, pensava ser “coisa de festa”. Depois de um tempo me divorciei, comecei a querer viver, conhecer as pessoas, voltei a despertar interesse por mulheres, conversei com uma, a conheci melhor e me apaixonei.


Fiquei super confusa com o que estava sentindo, porque sempre me disseram que era errado, fiquei com medo de julgamentos, mas esse era o menor dos problemas, fiquei com medo dos meus pais, mais precisamente da minha mãe. No começo foi bem difícil, nós bissexuais já temos o nosso próprio conflito de achar que somos uma coisa, e de repente se ver sendo outra. Foi difícil pra minha mãe não fazer uma comparação da minha sexualidade com promiscuidade, depravação ou indecisão.


Bissexuais não são confusos, não precisa preferir 50% homem e 50% mulher, você pode ter preferência por mulher, ou preferência por homens, você pode namorar um homem ou namorar uma mulher e ainda assim continua sendo bissexual.


Tem muita gente que se sente confusa com relação a Bissexualidade e a Panssexualidade, são praticamente a mesma coisa, ambos se atraem por pessoas, independente do gênero, o que muda é o contexto histórico de cada uma delas. Cabe a pessoa saber como ela se sente melhor, como se define, Bi ou Pan, e ambos precisam de visibilidade e respeito.


Muitas pessoas acreditam que sofremos bifobia por pessoas héteros, mas aí que se enganam, existem muitas lésbicas que são bifóbicas, dizem que bissexuais têm mais chances de trair, que têm medo de serem trocadas por homens. Traição tem a ver com caráter, nunca com a orientação sexual.


Estão surgindo cada vez mais pessoas públicas, cantores, influenciadores que estão se assumindo bissexuais, e isso nos ajuda a nos sentir mais fortes e empoderades para sermos quem realmente somos sem medo. Todo mundo tem o direito de ser quem é, e todos temos a obrigação de respeitar a identidade de cada um.”