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Diga não à intolerância religiosa

Entenda porque o Islamismo não é igual ao terrorismo.



Descrição da imagem: Fundo branco com bolinhas coloridas, na vertical, nos cantos formando uma moldura. No rodapé da imagem, no centro, está o logo do Instituto Modo Parités. No centro estão as informações: Diga não à intolerância religiosa. Imagem de uma mulher com crianças ao seu lado. Elas olhando para um cartaz branco com coisas escritas em cima de uma mesa de vidro. Elas vestem hijab. Ao fundo estão alguns quadros de anatomia e um quadro branco.

Foto: Instagram @learn.afg


Por Fátima El Kadri


Nas últimas semanas, o mundo ficou em choque com o cenário de terror no Afeganistão, que foi novamente tomado pelas forças da facção terrorista Talibã após o anúncio de retirada das tropas americanas do país.


Depois de duas décadas de aparente paz e normalidade, desde que o Talibã foi destituído do poder no ano de 2001, vemos o medo e a insegurança retornando às ruas da capital, Cabul, e em todo território deste pequeno país situado entre a Ásia e o Oriente Médio.


Sem dúvida, é impossível ficar indiferente à crueldade dos militares e ao desespero do povo afegão sem tomar qualquer partido. O grupo extremista, que apesar de ter feito um discurso propagando a moderação e a preservação dos direitos, tem agido com a mesma intolerância e violência de 20 anos atrás. E fazem isso de forma covarde, usando a religião islâmica como escudo e justificativa para praticar o terrorismo.


Assim, não surpreende que as pessoas ocidentais enxerguem uma relação direta entre a religião islâmica e o terrorismo, ideia que vem sendo bastante reforçada desde o ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center (Nova Iorque), em 11 de setembro de 2001.


No entanto, o que se deve esclarecer é que as ações de grupos terroristas são fruto de uma interpretação extremista e equivocada da Sharia, lei islâmica baseada no Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. O Islã tem como seus principais pilares o amor a Deus sobre todas as coisas, a caridade e a paz, que se expressa na saudação popular Salaam Alaikium, cuja tradução é: que a paz de Deus esteja sobre vós.


Professores e estudiosos do Islã concordam que as ações do Talibã não refletem o que diz o livro sagrado dos muçulmanos. Ocorre que a Sharia não é um texto definitivo ou um código fixo; ela dá margem a diferentes interpretações, que são aplicadas de acordo com a cultura e as tradições de cada país.


“Não podemos pensar o Islã como um bloco monolítico. Essa população está espalhada pelo mundo todo, então óbvio que a cultura tem um papel determinante no modo com que essas interpretações, que podem ser desde mais conservadoras até mais liberais, são feitas”, afirma Ali Zoghbi, vice-presidente da Fambras — órgão que certifica produtos fabricados no Brasil de acordo com as práticas muçulmanas — em entrevista à CNN Brasil.


Ou seja: em sociedades mais modernas, como as de Dubai ou Nova Iorque, a população muçulmana vive de uma maneira mais liberal do que no Afeganistão, pois a cultura deles é normalmente mais restritiva.


Também é preciso considerar as diferentes etnias do Islã. O Talibã, por exemplo, é formado pela etnia Pashtun, que segue uma linha ultraconservadora e fundamentalista, o que explica o autoritarismo e os conflitos na região.


Ainda assim, é necessário enfatizar que todo e qualquer ato de terrorismo é contrário aos princípios do Islã, bem como as ações que possam colocar em perigo ou ferir a dignidade das pessoas.


Veja só o que diz o livro O Islã e o Choque de Civilizações, de Ezzeddine Hussein Baalbaki (2006).


“O Islã foi criado para fazer a humanidade conhecer a senda reta (caminho correto) e sair dos labirintos da ignorância, da injustiça, do fanatismo e da escravidão, para a luz da ciência, não devendo ser conhecido através do comportamento de alguns poucos muçulmanos, manifestado principalmente nos períodos da ignorância, da fragilidade e da desunião.


Ou ainda, quando motivados pelas atitudes dos inimigos, que lhes fizeram perder a razão e transgredir seus preceitos religiosos, tal qual se tem visto hoje, quando inimigos do Islã, no intuito de fazer prevalecer seus interesses de domínio e de conquista, fazem da regra a exceção e da exceção, regra, quando pintam todo muçulmano com as cores do fanatismo e do terror, como se esses desvios, condenados por Deus, não existissem também em outros credos.”


Não é difícil entender, portanto, que a verdadeira causa do que está acontecendo no Afeganistão e de tantas outras tragédias humanitárias ao redor do mundo não é a religião, mas sim a intolerância, a falta de uma infraestrutura política e legislativa que afaste as tentativas de dominação e, principalmente, a busca pelo poder a qualquer preço.


É preciso abandonar a crença de que todas as pessoas que seguem a religião islâmica são terroristas em potencial, é preciso parar de hostilizar mulheres muçulmanas por conta da sua vestimenta e acolher os refugiados; é preciso ver a diversidade religiosa não como uma barreira, mas como uma oportunidade de aprendizado e evolução social.


O Instituto Modo Parités também luta contra a intolerância religiosa, pois entendemos que a aceitação das diferenças e a integração entre os povos é o único caminho possível para a paz.


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